Vôlei na adolescência: amadurecimento emocional, autocontrole e empatia.

É cada vez mais comum ver pais investindo na prática esportiva de seus filhos desde a adolescência. E não é para menos. Existe um consenso entre os especialistas de que a atividade esportiva, como o vôlei na adolescência, tem impacto positivo no amadurecimento emocional.
Na própria convivência em família, todos percebem que o vôlei ajuda na formação da personalidade, favorece o desenvolvimento da autoestima e promove o fortalecimento do espírito de equipe.
Além disso, ajuda no controle da agressividade, melhora a concentração e a memória, o que colabora para um bom desempenho escolar.
Por isso, a CO-LEAGUE tem promovido eventos para incentivar as categorias de base do voleibol feminino no Brasil.
Veja neste artigo pesquisas que comprovam a percepção de que a prática do vôlei na adolescência é benéfica e ajuda na construção de uma vida adulta saudável.
Os benefícios físicos
Muitos estudos apontam para a grande influência da prática esportiva na vida. Um exemplo é Gerald Fletcher, que cita os benefícios biológicos em seu trabalho “Como Implementar Atividade Física na Prevenção Primária e Secundária“.
São eles: “… melhora da densidade mineral óssea, prevenção da perda de massa óssea, aumento no consumo máximo de oxigênio, melhora na circulação periférica, aumento de massa muscular, melhora do controle da glicemia, melhora o perfil lipídico, redução ou manutenção do peso corporal, melhora no controle da pressão arterial, melhora a função pulmonar, ajuda na prevenção de doença coronária”.
Os extremos da adolescência
Como sabemos, a adolescência é uma fase de descobertas de limites, de questionamentos dos valores e das normas.
Também é um período em que aflora a necessidade de integração social, pela busca da autoafirmação e da independência individual.
É um momento de turbulência, com momentos de desequilíbrios e instabilidades extremas. Geralmente o resultado é maior insegurança, confusão e angústia.
A jovem pode se sentir injustiçada e incompreendida, o que pode comprometer o relacionamento com as pessoas mais próximas.
Os benefícios psicológicos
Vários estudos indicam que a prática regular de atividade física pode produzir efeitos antidepressivos e ansiolíticos, protegendo o organismo dos efeitos prejudiciais, em especial nos adolescentes, que passam por este período de grandes mudanças e expectativas.
Só para exemplificar, Rosane Biazussi, em sua pesquisa “Os Benefícios da Atividade Física aos Adolescentes”, encontrou resultados que apontam para o aumento da autoestima, do autoconhecimento corporal e do cuidado com a aparência física a partir da prática do exercício físico.
Além disso, encontrou também melhora na capacidade funcional, redução da obesidade e melhora da qualidade de vida em adolescentes.
A prática do vôlei na adolescência e o amadurecimento emocional

Como vimos, o trabalho com o esporte no período da adolescência é fundamental para as aptidões de empatia e autocontrole, responsáveis pelo amadurecimento emocional.
A base deste argumento também está no estudo “Voleibol na adolescência e o desenvolvimento do autodomínio emocional”, de Alessandra Weiss Ferraz.
Em outras palavras, a atividade favorece a liberação de tensões e emoções em um ambiente controlado. Assim, as jogadoras passam a utilizar o lazer e o esporte como meios de equilíbrio social, de forma intuitiva. Ou seja, mesmo sem o conhecimento prévio da psicologia e da neuropsicologia.
É a partir do uso de regras e delimitação das condutas que as jogadoras aprendem a desenvolver mecanismos autorregulatórios.
Coletividade é ponto central do vôlei na adolescência
O desenvolvimento das habilidades socioemocionais a partir do voleibol acontece internamente, na equipe da atleta, e externamente, envolvendo adversários, arbitragem e torcida.
Sobretudo, a coletividade se destaca entre as características do voleibol. Por isso, as jogadoras desenvolvem alto senso de trabalho em equipe.
De fato, a vitória só é conquistada a partir da ação coletiva, em que uns dependem dos outros para proteger sua quadra e construir uma jogada de sucesso.
Vivências para a vida adulta
Este fator confere ao voleibol uma técnica singular e sofisticada, capaz de propiciar vivências profundas e complexas.
De tal forma que ajuda a desenvolver nas adolescentes as habilidades inerentes da vida em sociedade, que serão cobradas posteriormente na fase adulta.
Além disso, as jogadoras recebem influências de pais, professores, amigos e personalidades do esporte.
Este conjunto de incentivos acaba por moldar comportamentos, opiniões, preferências e referências sobre os mais diversos dilemas da vida.
As habilidades do vôlei na adolescência que levam ao autocontrole e à empatia
Considerando as vivências práticas do voleibol, podemos notar a evolução das habilidades socioemocionais.
Por exemplo, quando a jogadora analisa a equipe adversária em um rally, ela assume uma postura curiosa e concentrada. Ela também se mostra consciente ao tentar prever as próximas jogadas das oponentes.
Em determinados momentos a jogadora precisa de coragem, assertividade e autocontrole para “colocar a bola no chão”, principalmente em instantes decisivos como um saque ou um ataque.
Concretizado o ponto, ao comemorar e incentivar suas colegas de equipe, vemos claramente demonstrações de confiança nas outras jogadoras, além dos sentimentos de acolhimento e empatia.
Tudo isso acontece em questão de segundos, tanto nos treinos quanto nas partidas. Cada lance implica em aprendizados de fomento e cobrança, competição e colaboração.
Entre ações e reações, as jogadoras tomam decisões quase que instantaneamente.
Assim, fica mais fácil entender porque o vôlei desempenha papel fundamental no amadurecimento emocional das atletas, promovendo um entrelaçamento das emoções com o ambiente do jogo e as relações sociais construtivas.
Por isso, a CO-LEAGUE promove os festivais, facilitando o acesso ao esporte e acolhendo todas as atletas, independentemente do biotipo e no nível esportivo, para fortalecer a base do voleibol brasileiro e popularizar seus benefícios.